14 setembro 2011

Amor de Eu e Você

Eis que da pele escorre desejo, na cabeça há um emaranhado de pensamentos sobre uma mesma figura e, daquilo que não era nada, que era um vazio de não ser absolutamente nada que se defina concreto, nasceu um 'nós'. Ou como você disse, um "Eu e Você."
Era cedo quando você disse que não sabia o que éramos. Na verdade não era tão cedo assim, era já madrugada quando li isso, por que, aliás, você não disse, escreveu. E o fez numa carta grande, de páginas carinhosamente tímidas que queriam mais do que te apresentar, mais do que me felicitar pelo aniversário, queriam mais, assim como você. Eram parágrafos que anunciavam a sua chegada, o seu dominar no meu império, o início desse seu reinado.
Lembro que foi na segunda folha que você nos resumiu ao 'indefinido'. Disse, em letras cautelosas, mas sugestivas, que não sabia o que era tudo aquilo, que não era amizade, mas também não era amor de eu e você. E deste momento em diante, ou melhor, desta linha em diante estava claro que esse dia em que teriamos de ser alguma coisa iria chegar e, mais precisamente, estava claro que o meu eu iria tentar de todas as formas ser amor com você
Dito e feito.
Os dias passaram e a falta de nome também passou. Éramos, enfim. E éramos amor mesmo, e este não fora decretado antes apenas por medo, insegurança, ou covardia, mas existia desde o início. Cada dia que passava, mais precisava de você, do seu carinho, do seu cheiro peculiar, e do calor que eu sentia ao seu lado, mesmo quando não estávamos sob o sol da tarde. Alguma coisa sempre esquentava em mim na sua presença, talvez fosse sua pele morena. Quem sabe.
O fato é que tão logo viramos 'nós', as coisas evoluíram na velocidade da luz. Passamos do sofá esquecido, para o corredor isolado e de luz piscante, depois pra sua casa, quarto, banheiro e, enfim, para minha cama. Mesmo sendo tão rápidos os momentos que nos construíram, eu já esperava por eles, em cada um de seus detalhes, cada um de seus defeitos, nessas mínimas frações erradas que fizeram de tudo que vivíamos um inteiro, perfeito.
E foi assim que, desejando cada vez mais, me mantive súdita fiel do teu reinado, sempre esperando anoitecer para despir-te do medo, da vergonha, da coroa, do poder, das tuas vestes. Sempre tão precisamente ao encontro do meu gosto, me satisfazendo inteira, como amiga, mulher, e amante. E melhor ainda do que madrugar noite a dentro em teus carinhos, era amanhecer entrelaçada em tuas pernas, encaixada nos teus braços, à procura de mais um beijo, e mais um, e mais outro, e mais, mais.
Agora aqui bate um coração medíocre, implorando pela nobreza do teu amor para bater. E seguimos assim, sendo 'nós' entre beijos que calam discussões, e entre discussões que pedem por beijos, sustentamos o amor que já nasceu do nosso jeito, do nosso encaixe, no formato preciso de existir em nós. E vendo fotografias, daqui a vários anos, relembraremos de quando não sabíamos, ou fingiamos não saber, o que éramos, mas mantínhamos em off uma vontade incontrolável de sermos um, e da pressa que tínhamos para parar o tempo e o espaço nessa eternidade do nosso amor de eu e você.


Vem, estou te esperando!

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