É culpa sua, fracionada, inacabada.
E ela se escora, decepcionada.
São trechos, desfechos.
São vazios obscuros,
Profundos, irremediáveis.
São pobres promessas,
Doses letais em conversas,
É minha culpa.
No ímpeto do abandono,
Se convence de que está pronto.
Até seu coração pulsar numa bandeja,
A vida ruir, a sensação dissolver,
O tempo espaçar.
A voz que se cala na distância,
O que volta a ser a nostalgia da lembrança.
27 fevereiro 2010
14 fevereiro 2010
Era um lindo casaco de algodão finlandês e eu não podia perdê-lo. Ver tamanha preciosidade naquela vitrine produzia em mim um brilho tão intenso, que eu quase sentia queimar como um lança-chamas biológico. Não dava apenas para olhar, eu só me basto com mais.
Entrei na loja leve e maravilhada, algo que foi como a sensação de adentrar os portais do paraíso, imagino eu. Direcionei-me rapidamente ao balcão e pedi à vendedora, com um ar de superioridade que me causou certo embaraço, aquilo que eu tanto desejava:
- Boa tarde, eu quero um casaco de algodão finlandês, aquele da vitrine, tamanho M.
Achei que fui até simpática, mas a moça teve a petulância de responder:
- Desculpe Senhora, só temos aquele e está reservado para um rapaz que esteve aqui logo cedo.
COMO ASSIM RESERVADO? Será que ela não ouvia a urgência com que meu corpo, e ego, pedia aquele casaco? Quis dizer aquelas "boas verdades" à ela ,(aquelas que todo mundo quer dizer quando está bravo, mas que, no fundo, não são boas, muito menos verdades) mas não era sua culpa, inclusive ajudou-me, a coitada. Disse que o bendito rapaz viria buscar e encomenda na manhã seguinte, e talvez eu deveria aparecer afim de negociar. Esperei o dia seguinte e fui, esperançosa.
Era um lindo homem rico e charmoso e eu não podia perdê-lo. Se minhas amigas vissem a cara de "amor à primeira vista" com que eu o olhava, certamente ririam. Era inevitável, o rapaz era muito bonito, simpático, aparentemente rico, e tinha um bom gosto indiscutível, afinal era o MEU casaco que ele estava levando embora. Desejei ambos, o homem e o casaco, com a mesma intensidade.
Tentei argumentar, impedi-lo, mas estava embriagada pela simples existência dele, tanto que só pude assisti-lo ir como um manequin qualquer, uma estátua humana. Quando recuperei a normalidade, perguntei às vendedoras nome e telefone do dito cujo, usando a desculpa de procurá-lo para implorar pelo meu desejo. Ambos os desejos. Fui até a casa dele, passamos um tarde, conversamos, e foi assim durante todas as tardes naquele mês. Até que, enfim, começamos uma relação.
Eu me sentia suja, encoberta por uma camada de maldade, crueldade egoísta em não dizer nada sobre a fome que eu tinha do casado dele, que no fundo era meu. O tempo passou e, quando resolvemos casar, eu confiei à ele esse segredo, o desejo que eu tinha do casaco é que havia me feito estar na loja naquele dia. Nada aconteceu, de modo que ele entendeu que talvez nossa maior conspiração tenha sido o casaco, e sugeriu dividi-lo. Adorei. Hoje fazemos 20 anos de casados, de cumplicidade, de sinceridade e, acima de tudo, vinte anos de divisão de um belo casaco e um amor verdadeiro.
Eram um lindo casado de algodão finlandês e um lindo homem rico e charmoso, e eu não podia perdê-los.
Entrei na loja leve e maravilhada, algo que foi como a sensação de adentrar os portais do paraíso, imagino eu. Direcionei-me rapidamente ao balcão e pedi à vendedora, com um ar de superioridade que me causou certo embaraço, aquilo que eu tanto desejava:
- Boa tarde, eu quero um casaco de algodão finlandês, aquele da vitrine, tamanho M.
Achei que fui até simpática, mas a moça teve a petulância de responder:
- Desculpe Senhora, só temos aquele e está reservado para um rapaz que esteve aqui logo cedo.
COMO ASSIM RESERVADO? Será que ela não ouvia a urgência com que meu corpo, e ego, pedia aquele casaco? Quis dizer aquelas "boas verdades" à ela ,(aquelas que todo mundo quer dizer quando está bravo, mas que, no fundo, não são boas, muito menos verdades) mas não era sua culpa, inclusive ajudou-me, a coitada. Disse que o bendito rapaz viria buscar e encomenda na manhã seguinte, e talvez eu deveria aparecer afim de negociar. Esperei o dia seguinte e fui, esperançosa.
Era um lindo homem rico e charmoso e eu não podia perdê-lo. Se minhas amigas vissem a cara de "amor à primeira vista" com que eu o olhava, certamente ririam. Era inevitável, o rapaz era muito bonito, simpático, aparentemente rico, e tinha um bom gosto indiscutível, afinal era o MEU casaco que ele estava levando embora. Desejei ambos, o homem e o casaco, com a mesma intensidade.
Tentei argumentar, impedi-lo, mas estava embriagada pela simples existência dele, tanto que só pude assisti-lo ir como um manequin qualquer, uma estátua humana. Quando recuperei a normalidade, perguntei às vendedoras nome e telefone do dito cujo, usando a desculpa de procurá-lo para implorar pelo meu desejo. Ambos os desejos. Fui até a casa dele, passamos um tarde, conversamos, e foi assim durante todas as tardes naquele mês. Até que, enfim, começamos uma relação.
Eu me sentia suja, encoberta por uma camada de maldade, crueldade egoísta em não dizer nada sobre a fome que eu tinha do casado dele, que no fundo era meu. O tempo passou e, quando resolvemos casar, eu confiei à ele esse segredo, o desejo que eu tinha do casaco é que havia me feito estar na loja naquele dia. Nada aconteceu, de modo que ele entendeu que talvez nossa maior conspiração tenha sido o casaco, e sugeriu dividi-lo. Adorei. Hoje fazemos 20 anos de casados, de cumplicidade, de sinceridade e, acima de tudo, vinte anos de divisão de um belo casaco e um amor verdadeiro.
Eram um lindo casado de algodão finlandês e um lindo homem rico e charmoso, e eu não podia perdê-los.
03 fevereiro 2010
Reality Show
Pela primeira vez, nesta edição, resolvi assistir o BBB10 ontem, era dia de eliminação. A casa está tensa, muitas brigas, falsos moralismos, estratégias e tudo aquilo que nós ja decoramos que rola na casa toda edição. O engraçado foi que pela primeira vez, assisti a esse showzinho barato da vida real com olhos completamente críticos. É nojento ver como grande parte dos brasileiros supervaloriza programas como esse, os quais funcionam quase como observatório de macacos. Ao mesmo tempo que têm total liberdade para TUDO, qualquer coisa que fizerem será julgada, pelo programa e pelo público, principalmente. Não é possível que ninguém veja. Aquilo que esta ali é você! Somos nós!! Todo mundo tem um pouco de vilão e mocinho, todo mundo tem suas verdades salpicadas de mentiras, todo mundo tem seus julgamentos, menos sobre si, demasiado sobre os outros.Todo mundo tem momentos de semi-surtar, exagerar, se desculpar, se mascarar. Quando chamam programas como BBB10, Casa dos Artistas, A fazenda e afins de reality shows não é porque é um nome bonito, chique. É porque de fato o é, é o show da realidade, todos na "vida real" são assim, mas é sempre mais cômodo assistir de camarote a vida alheia do que refletir sobre suas próprias atitudes. Minha indignação maior é com os participantes, poxa, um milhão e meio de reais não é pouca coisa, mas precisa haver dinheiro para se conhecer melhor? Para se auto-avaliar e tentar civilizar-se? Vão louca e cegamente atrás de um dinheiro que ganharão por, apenas, mostrarem quem são de verdade. Incrível como uns têm dinheiro fácil, não?! O negócio é que..A maior lição que esse tipo de programa pode dar não tem a ver com o dinheiro. É impagável, e a maioria dos telespectadores, mesmo assistindo todos os dias durante 10 edições, dificilmente se dá conta: A liberdade é a nossa maior prisão.
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