15 abril 2010

Constante recomeçar..

Hoje resolvi, pois, fazer o que muitas pessoas fazem ou dizem que é certo: fazer do blog um diário. Diferente, claro, porém um diário, assim será. Começemos, então.

Querido Diário,
Não, não soa falso esse 'querido' logo em nosso primeiro contato, uma vez que você não sabe quanto já o adoro desde sempre. Mas deixemos a pieguisse pra depois. Vamos aos fatos. Hoje foi um dia de aprendizado e eu não me refiro à conteúdos escolares. Aprendi inúmeras coisas, relembrei outras, percebi algumas. Hoje, querido, eu vi que, involuntariamente talvez, faço mal pra mim mesma. Cartas, por exemplo, joguei fora cartas de quem deveria ter guardado, mas o medo da decepção e a lembrança da dor posterior me fizeram covarde, e lancei tudo ao vento, como palavras ditas da boca pra fora. Contudo, justo as cartas que eu deveria ter rasgado, lançado, queimado, estão aqui, literalmente aqui, nesta gaveta ao meu lado, e não consigo me desfazer delas, tampouco me refazer do que elas fazem comigo. Dá pra entender?
Aliás, lembrei disso porque hoje eu vi aquela pessoa que há muito deixei de ver, de ouvir, de tocar, de sentir, será que de amar também? Espero, e gostaria de não estar me enganando.
Também hoje criei uma frase, em virtude de meus momentos de hoje,claro, mas com um quê de novidade, quem sabe alguém já tenha criado esta antes, caso isso não tenha acontecido, está aqui em primeira mão pra você: "Pesadelos se tornam reais quando os sonhos são esquecidos". ( O pior foi que escrevi isso embaixo do desenho que fiz: uma Bruxa-de nome Brígida- em meio à um céu medonho-escuro).
Hoje aprendi que eu desejo muito mais quando, além de proibido, é improvável. Mas convenhamos, imagine a delícia de fazer algo que não é permitido e tem mínimissimas chances de acontecer! É de dar água na boca esse cheirinho de vitória suja. E eu adoro.
Não posso esquecer que eu aprendi também nesse dia a 'fazer dar certo', correr atrás enquanto dá tempo e pedir desculpas à alguém com o coração apertado, de quem precisa muito daquele perdão, daquele abraço, daquele sorriso, daquele cheiro, daquele beijo, daquela alma. Ah diário, se você soubesse dos meus pensamentos... Das minhas aventuras... Aos poucos vou lhe contando.
Ligaram me para dizer que 'apesar de ser difícil falar comigo, estava morrendo de saudades e queria me ver antes de viajar'. E, pasme, eu também queria ver e estava com saudades. Deve ser a carência de Abril, que se não existia ainda, pode existir apartir de agora.
Ah, hoje também vi 3 palavras simples em um sms curto, porém importantíssimo, me causar uma sensação de euforia interna, um domínio de esperança, um banho de alívio. Recebi uma mensagem simples assim: "saudade de vc", e senti os olhos marejados de quem ganha, pela primeira vez, a paz divina.
Acho que foi esse, basicamente, meu dia, diário. Ah, e creio que a sensação de solidão aprendeu um truque novo hoje: ser teimosa e persistente.
Mas eu me viro, sem ficar tonta.
Frases do dia:
'O controle é possível'
'A Consciência é o primeiro passo.'
'Os opostos se atraem.' [definitivamente]
Obrigada pelo ombro amigo, ou melhor, pelas páginas amigas,
Até logo mais,

Sua confidente de sempre,
Fernanda.

11 abril 2010

Aqueles Olhos...

Sentiu-se vergonhosamente despida por aquele olhar. Aqueles Olhos... Ah, aqueles Olhos!
Eram olhos expressivos, cheios de história pra contar, olhos que convidavam à uma conversa longa e, certamente, muda. Negros, como que para esconder as tantas coisas que jamais contariam, mas eram de um escuro diferente. Um escuro não de quando 'apagam as luzes', era um escuro de onde nunca houve claridade. Apesar disso brilhavam, e como brilhavam! Tentando mostrar que tinham, ao menos, a famosa luz no fim do túnel.
Aqueles olhos! Misteriosos como só eles sabiam ser, sujeitos à mil e uma interpretações, que esclareciam tudo quando nada demonstravam, lançavam olhares precisos, convictos de seus significados mais primitivos, completos. Eram olhos assustadores. Secos como areia de um deserto moral, indícios certos de um coração inúmeras vezes quebrado e não bem consertado. Olhos sérios, exalavam poder a cada piscada. Frios como desacreditados do mundo e, no entanto, eram jovens, uma ironia. Era jovens pela biologia infalível, contudo vividos, sábios, cheios de experiências, boas e nem tão boas.
Eram olhos desconfiados, não faziam perguntas, ao passo que também nada respondiam. Eram enigmáticos, tinham sempre algo a dizer, ou a esconder. Tinha medo de fitá-los, parecia ser devorada ávidamente a cada olho-no-olho, esses olhos tão conhecidos insistiam em chamá-la de fraca, fragmentar-lhe e, lançar ao vento seus segredos mais íntimos. Foi então que a menina passou a ter medo dos olhos que a esperavam em todos os espelhos.

01 abril 2010

Fora de Moda

Hoje fui comprar perfume como sempre vou: mentalizando trazer o usual e, ao mesmo tempo, aberta às inovações. Olhei, olhei, ou melhor, cheirei, cheirei, e fiquei na dúvida entre meus 3 favoritos, aliás, meus 3 mais rotineiros.Contudo, por algum motivo, resolvi perguntar à mulher sobre um perfume que eu usei há 6 anos, cujo nome era 'amizade' em francês. Embora eu estivesse bem resolvida quanto a não levá-lo, eu gostaria de rever o frasco, 'ressentir' o cheirinho de amizade que ele realmente me lembrava. Mas fui surpreendida duas vezes. Pela resposta da vendedora e pelo que essa resposta me fez sentir. Fui informada que o meu perfume com cheiro e nome de amizade saiu de linha e, estranhamente, fui tomada por uma sensação súbita de tristeza. Não pelo fato de o meu perfume da adolescência não existir mais, mas porque, de alguma forma, havia um significado bem maior por trás disso, tão maior quanto difícil.
Talvez você, curioso leitor, não entenda o que quero dizer, mas não me custa, pelo contrário, me alivia tentar proporcionar-lhe uma nova visão dos fatos. Ao ouvir que o perfume saiu de linha, na verdade ouvi o que a mulher não dizia, mas estava explícito como um elefante que se esconde atrás da moita: A amizade saiu de linha. Sim, é bem possível que isso seja uma interpretação muita criativa, sugerida pelo próprio nome do perfume, fugitiva nata da realidade, mas é o que eu ouvi,e o que tenho visto todos os dias. A amizade saiu de linha, caiu das paradas, está fora de moda. Ninguém mais se importa com qualquer tipo de relacionamento que não seja amoroso, ninguém mais percebe o que a boca não diz mas o olhar de um amigo lê claramente numa conversa muda, ninguém mais se importa se quem está ao lado precisa de ombro, precisa de colo, precisa de amor. E amor, ora! Convenhamos, simpático, as pessoas mal se lembram que ele existe, posto que vos falo não do amor carnal, mas do amor espiritual, a sensação de paz, tranquilidade, de estar completo, sentir-se abrigado e pronto para enfrentar qualquer tempestade, qualquer guerra, qualquer dor. E isso sabemos bem, eu e você, isso é exclusividade de amigos, das amizades. Aquela sensação de ser livre para errar e continuar sendo amado nos seus erros, mesmo os propositais, nas suas imperfeições, nos seus defeitos. Aquela relação em que sempre se ganha mais em oferecer, em que o bem do outro é nosso maior tesouro, em que a sinceridade e cumplicidade concretizam-se no singelo gesto de abraçar. Mas já não tem importância. Ninguém quer mais isso, não é mais top, não faz sucesso. Sucesso agora é ser pop, estampar a falsa simpatia no rosto, dar oizinho pra todo mundo e, dessa futilidade, gabar-se de ter muitos amigos. Ninguém mais diz as santas verdades que apenas verdadeiros amigos têm a segurança de dizer, aliás, mal têm tempo de dizer qualquer coisa que seja, as amizades são construídas em bases imaginárias, virtuais, são os dito amigos de orkut e msn. As pessoas querem relações passageiras, sentimentos frios, amores de papel. E a amizade vai embora assim, desse jeito, não fugindo do mundo, mas sendo expulsa dele e por ele. E vendo o que eu tenho de melhor se tornar esquecido e inútil, como as memórias que restaram do uso daquele perfume, penso no futuro. Não me importa se o mundo acabar em 2012, lembrarei, e isso basta, que tive amigos, amei-os mais do que a mim mesma e, acredite, estive na moda. Ao menos nas passarelas do coração.