11 abril 2010

Aqueles Olhos...

Sentiu-se vergonhosamente despida por aquele olhar. Aqueles Olhos... Ah, aqueles Olhos!
Eram olhos expressivos, cheios de história pra contar, olhos que convidavam à uma conversa longa e, certamente, muda. Negros, como que para esconder as tantas coisas que jamais contariam, mas eram de um escuro diferente. Um escuro não de quando 'apagam as luzes', era um escuro de onde nunca houve claridade. Apesar disso brilhavam, e como brilhavam! Tentando mostrar que tinham, ao menos, a famosa luz no fim do túnel.
Aqueles olhos! Misteriosos como só eles sabiam ser, sujeitos à mil e uma interpretações, que esclareciam tudo quando nada demonstravam, lançavam olhares precisos, convictos de seus significados mais primitivos, completos. Eram olhos assustadores. Secos como areia de um deserto moral, indícios certos de um coração inúmeras vezes quebrado e não bem consertado. Olhos sérios, exalavam poder a cada piscada. Frios como desacreditados do mundo e, no entanto, eram jovens, uma ironia. Era jovens pela biologia infalível, contudo vividos, sábios, cheios de experiências, boas e nem tão boas.
Eram olhos desconfiados, não faziam perguntas, ao passo que também nada respondiam. Eram enigmáticos, tinham sempre algo a dizer, ou a esconder. Tinha medo de fitá-los, parecia ser devorada ávidamente a cada olho-no-olho, esses olhos tão conhecidos insistiam em chamá-la de fraca, fragmentar-lhe e, lançar ao vento seus segredos mais íntimos. Foi então que a menina passou a ter medo dos olhos que a esperavam em todos os espelhos.

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