Não aquele vazio de quem não sabe quem é, não sabe o que quer, não sabe nada a respeito de si. Não, esse vazio acho que nunca abriguei. É um vazio novo. O vazio que eu passei a vida desafiando a me pegar, a encostar em mim.. Pois é, me buscou, me encontrou, entrou. O nada absoluto, o não existir do sentimento mais puro, aquele que preenche a essência de todos os seres pesou em mim. A ausência de amor, refletida no espelho, rasgou em pedaços a lógica e a segurança que eu tinha em fugir dessa loucura chamada amor. Nunca foi tão gritante a sensação de ser um deserto, uma solidão constante que parece só aumentar. Pela primeira vez, doeu ser tão só. Contudo, além da solidão, outra coisa despiu-me frente ao espelho: a Dúvida.
Ao longo de todos esses anos sendo fugitiva do amor muitas pessoas se aproximaram, chegaram, tocaram e, em todos os casos, se feriram. Como quem vê uma flor, admira, se apaixona, e ao tocá-la se machuca. É exatamente isso, tenho sido, há muito tempo, uma rosa no deserto. O deserto que também sou eu. Então, em todo esse tempo, todas as feridas que causei, todos os sentimentos que estraguei, os amores que não aceitei... Será que joguei fora a chance de viver o tal "conto de fadas"? Será que não vi chegar e se aproximar o amor sorrateiro, à minha espera, querendo me ensinar a aceitá-lo? E se não houver outra chance?
Ao longo de todos esses anos sendo fugitiva do amor muitas pessoas se aproximaram, chegaram, tocaram e, em todos os casos, se feriram. Como quem vê uma flor, admira, se apaixona, e ao tocá-la se machuca. É exatamente isso, tenho sido, há muito tempo, uma rosa no deserto. O deserto que também sou eu. Então, em todo esse tempo, todas as feridas que causei, todos os sentimentos que estraguei, os amores que não aceitei... Será que joguei fora a chance de viver o tal "conto de fadas"? Será que não vi chegar e se aproximar o amor sorrateiro, à minha espera, querendo me ensinar a aceitá-lo? E se não houver outra chance?
Quando olhei no espelho e a solidão me olhou de volta, senti o corpo estremecer e chorei como há muito não fazia. Orgulho-me do estilo de vida que levo e como o tenho feito, mas vez ou outra, é estranho não ter alguém. Estranho não, é horrível não ter alguém. Alguém que seja só meu, e que só queira a mim. Alguém que sinta fome e sede de mim, que tenha aquela saudade sufocante em apenas 5 minutos da minha ausência. Alguém que me chame de amor com verdade nos lábios, alguém que pense em mim uma vez a cada minuto do dia. Alguém que sonhe comigo, que sonhe uma vida inteira, faça milhares de planos, e em todos, inconscientemente me inclua. Alguém que me olhe com admiração sem motivo na fila do pão, que faça carinho durante um filme no cinema, que fique um domingo inteiro brincando, rindo e fazendo birra no sofá. Alguém que tenha orgulho estampado nos olhos em me apresentar como sua na roda de amigos. Alguém que, mesmo desperfumada e toda despetalada, continue a me achar a rosa mais linda.
A inexistência desse alguém rasgou-me, feriu a minha essência, como eu tantas vezes fiz com quem tentou ocupar esse lugar. De hoje em diante, recolherei os espinhos, serei rosa mansa, linda e doce, à espera do toque. Continuarei não procurando, mas andarei em direção ao amor, só pra ver se ele me encontra mais rápido. E quem quiser chegar, encontrará todas as ferramentas para construir um castelo em meu deserto, e atrevendo-se a tocar a rosa, será recompensado. A partir de agora meu coração está de portas abertas, se quiser entrar... Bom... Entre, só não repare a bagunça.