É que a hipérbole já não diverte mais.
A epifania, de tão demorada, ousa ser apenas cópia.
O futurismo parece antecipar o que já até passou.
O cubismo mostra aquilo que até cansei de ver e rever.
'Era um vez' insiste em brincar de vir ao fim da história.
Se vou à tem que 'crasear' e não demorar pra voltar.
Para dar a rubrica de 'amor' tenho que concretizar o substantivo.
Já os abstratos, tão mais convidativos, tornam-se menos dolorosos.
Cansei da mesmice do 'ser, estar, ficar, permanecer, continuar'.
Eu transito quando quero e não precisa ser direito, tampouco direto.
Entreter é melhor do que fingir, ignorar é melhor do que sentir.
Não quero mais essa gramática de vida, quero o novo.
E certo que 'esse novo', de tão comentado outras vezes, já nem tão novo é assim.
Quero verbalizar sensações, dar vazão ao surrealismo.
Não voltar e mandar dizer que minhas estórias se baseam em fatos irracionais,
mas podem ser minhas verdades à medida que me cabem, satisfazem, existem.