26 agosto 2013

Receitas

A cada conselho que tenho recebido me dizendo o quanto urgentemente preciso te esquecer, mais me lembro dos teus olhos e teus olhares, do teu cheiro e dos teus toques, dos teu beijos e teus abraços. E há no mundo dor pior que essa? Ver o amor escorrer pelos dedos como água, a levar e lavar todos os planos e todos os sonhos, e não poder fazer nada?
Observar um amor morrer aos poucos é de uma dor e uma tristeza inigualáveis. Pra ser sincera, ver esse amor morrer é quase como me ver morrer também, ver a chama que mantinha tudo aceso, claro e em paz se apagar num sopro, num descuido fatal. 
Não fossem nossas outras vidas, talvez tivesse dado certo.
É, é verdade. Você e sua segunda pele, sua capa, seu revestimento...A duplicidade do temor de ser quem você é, pelo menos aos que mais lhe têm apreço. O medo que anda colado na tua sombra, o muro que você ergueu entre a sua felicidade, e a vida feliz que as pessoas esperam de você. Mas eu também.. Na minha vida dividida, ou melhor, vida compartilhada. Nas minhas entregas momentâneas, na liberdade de ser quem eu sou quando quero, com quem quero e como quero, exatamente por não ter você. Na minha ânsia de ser feliz por mim, de fazer a única coisa que ninguém nunca poderá fazer: viver a minha própria vida.
Não fossem os outros, talvez tivesse dado certo.
É, quem sabe se fossemos sempre só nós, no mundo inteiro, haveria um final feliz. Se a vida fosse um paralelo, onde não existisse ninguém ao redor, nem longe, nem perto, nem entre nós. Uma vida que não houvesse atalhos, nem escapes, viver amor tranquilo, no qual você vivesse de mim e eu de você.
Não fossem as brigas constantes, talvez tivesse dado certo.
É ridículo a forma como a cada vez que o nosso sentimento crescia, o ciúmes e as cobranças também cresciam exponencialmente. E é uma pena que só o aumento do amor tenha sido verbalizado, tenha sido notado. Enquanto o ciúmes, as dúvidas e confusões cresciam abafadas, silenciosas como ervas daninhas em nosso jardim, achávamos que estávamos navegando em mares de amor, pensando erroneamente que construíamos algo que só se constrói de verdade na TRANSPARÊNCIA, e não nas APARÊNCIAS.
Mas..
Não fossem teus olhos os mais bonitos que eu já vi, não fossem teus sorrisos os mais doce que eu já recebi, não fossem tuas gargalhadas as mais gostosas que já ouvi, não fossem teus beijos os mais intensos que já senti, não fossem as tuas palavras as mais carinhosas que eu já li.. Não fosse VOCÊ eu não estaria ouvindo tantas receitas de como te esquecer, lembrando de cada detalhe que te fez inesquecível em mim. Não fosse amor tão puro e tão intenso, não estaria aqui desejando ainda te fazer feliz por toda a vida, apesar dos pesares, dos 'se', dos 'talvez', e de todas as receitas. 

06 julho 2013

Te Devoraria

Se eu pudesse, devoraria mesmo. Corpo e alma.
Coração não, coração não se devora.Esse eu guardaria numa moldura bonita, na cabeceira da cama, a me lembrar noite após noite, daquela outra noite em que conheci você. Mas o resto, eu devoraria.
Devoraria teu cabelo cheiroso e macio a dançar tão sedoso por entre os meus dedos inquietos. Teu cheiro intenso a me lembrar nas roupas, e na memória, que o dia foi pouco. Tua boca gostosa, de lábios macios, de vontades caladas. Teus olhos claros, imensidão de paz que, feito um pavilhão de espelhos, insistem em me refletir tão perfeitamente.
Devoraria teu beijo que tem um jeito um tão meu, e as minhas mordidas que têm um gosto tão teu de me provocar. Tuas mãos quentes sobre a minha pele, obrigando meu corpo a implorar por mais e mais um toque. Teu corpo a me envolver e revirar os meus instintos a cada aproximação física. Teu jeito lindo de falar outro idioma, do tipo 'pacote completo', inteligência e beleza, que me deixa tão boba em admirar. Tua voz mansa e atraente, a despertar um novo arrepio a cada palavra dita. 
Devoraria teus passos, teus planos e tuas andanças, pra ver se te prendia, se te convencia a andar de uma vez por todas em meus descaminhos, a vasculhar minhas entrelinhas, a corrigir o meu rascunho. Devoraria o seu futuro, e ofereceria a minha vontade de te fazer feliz no presente, por um dia, e outro, e outro. Devoraria teus pensamentos, teu passado e tuas lembranças, para você viver apenas pra mim, como eu poderia viver só de você. Mas, antes dessas tantas devorações, eu devoraria primeiro esse sentimento que você semeou em mim que, mesmo sem precisar assumir ou escancarar, me deixa assim... Querendo viver pra esperar, esperar, devorar você.

07 abril 2013

A Rosa do Deserto

As pessoas mudam. Especialmente eu, estou sempre mudando. Não raro são os momentos em que olho no espelho e me vejo outra, por dentro a mesma, por fora incógnita. Desta vez não. O que o espelho refletiu foi diferente, por fora a mesma, por dentro vazio.
Não aquele vazio de quem não sabe quem é, não sabe o que quer, não sabe nada a respeito de si. Não, esse vazio acho que nunca abriguei. É um vazio novo. O vazio que eu passei a vida desafiando a me pegar, a encostar em mim.. Pois é, me buscou, me encontrou, entrou. O nada absoluto, o não existir do sentimento mais puro, aquele que preenche a essência de todos os seres pesou em mim. A ausência de amor, refletida no espelho, rasgou em pedaços a lógica e a segurança que eu tinha em fugir dessa loucura chamada amor. Nunca foi tão gritante a sensação de ser um deserto, uma solidão constante que parece só aumentar. Pela primeira vez, doeu ser tão só. Contudo, além da solidão, outra coisa despiu-me frente ao espelho: a Dúvida.
Ao longo de todos esses anos sendo fugitiva do amor muitas pessoas se aproximaram, chegaram, tocaram e, em todos os casos, se feriram. Como quem vê uma flor, admira, se apaixona, e ao tocá-la se machuca. É exatamente isso, tenho sido, há muito tempo, uma rosa no deserto. O deserto que também sou eu. Então, em todo esse tempo, todas as feridas que causei, todos os sentimentos que estraguei, os amores que não aceitei... Será que joguei fora a chance de viver o tal "conto de fadas"? Será que não vi chegar e se aproximar o amor sorrateiro, à minha espera, querendo me ensinar a aceitá-lo? E se não houver outra chance?
Quando olhei no espelho e a solidão me olhou de volta, senti o corpo estremecer e chorei como há muito não fazia. Orgulho-me do estilo de vida que levo e como o tenho feito, mas vez ou outra, é estranho não ter alguém. Estranho não, é horrível não ter alguém. Alguém que seja só meu, e que só queira a mim. Alguém que sinta fome e sede de mim, que tenha aquela saudade sufocante em apenas 5 minutos da minha ausência. Alguém que me chame de amor com verdade nos lábios, alguém que pense em mim uma vez a cada minuto do dia. Alguém que sonhe comigo, que sonhe uma vida inteira, faça milhares de planos, e em todos, inconscientemente me inclua. Alguém que me olhe com admiração sem motivo na fila do pão, que faça carinho durante um filme no cinema, que fique um domingo inteiro brincando, rindo e fazendo birra no sofá. Alguém que tenha orgulho estampado nos olhos em me apresentar como sua na roda de amigos. Alguém que, mesmo desperfumada e toda despetalada, continue a me achar a rosa mais linda.
A inexistência desse alguém rasgou-me, feriu a minha essência, como eu tantas vezes fiz com quem tentou ocupar esse lugar. De hoje em diante, recolherei os espinhos, serei rosa mansa, linda e doce, à espera do toque. Continuarei não procurando, mas andarei em direção ao amor, só pra ver se ele me encontra mais rápido. E quem quiser chegar, encontrará todas as ferramentas para construir um castelo em meu deserto, e atrevendo-se a tocar a rosa, será recompensado. A partir de agora meu coração está de portas abertas, se quiser entrar... Bom... Entre, só não repare a bagunça.

08 março 2013

A sorte que eu não tenho


Escrever, como outros hábitos, é em parte dom, outra parte prática. Assim também é amar

Amar é dom porque não se aprende a ter o coração puro, aberto e maleável. Não ficamos desde o berço pensando em cada detalhe, cada momento e cada ação que um dia concretizaremos para fazer alguém feliz. Ou você nasce sabendo amar e ser amante, ou você passa a vida tentando.
E tem a prática.. Amar também é prática porque não se faz alguém feliz só por um dia, por uma hora, por um minuto. Isso sim se aprende, no convívio, na rotina, nos dias bons e nem tão bons é que a felicidade é construída. Amar é praticar porque não se ama só uma vez, se ama todo dia, todo o tempo, a vida toda. Amamos diversas pessoas, de diversas maneiras, com diversas intensidades. Mas amamos, sempre, direto, algo ou alguém, conscientemente, persistentemente, ou até mesmo sem saber.Pois é, amamos até de surpresa
Amar, além de dom e prática, é também abrigo. Refúgio nas adversidades da vida, uma luz na escuridão que  às vezes nos envolve, proteção que não afasta só o frio, afasta também a solidão. Amar é saudade que corta, rasga, machuca,e até escorre. Quase sempre pelos olhos. Amar é grito contido ecoando no peito, é deixar vir, deixar acontecer, se deixar encontrar. É permissão, carta branca, entrega completa sem querer devolução. Amar é tudo e mais um muito, um tanto além.Ser amado, contudo, não é dom, nem prática. Ser amado é em parte sorte. E outra parte também. 

28 maio 2012

Se for pra sentir, que seja sempre seus braços ao meu redor.
Se for pra lembrar, que seja sempre do cheiro da tua pele.
Se for pra chorar, que seja sempre de saudade ao rever aquela foto.
Se for pra perder, que seja sempre o tempo, perdida em teus carinhos.
Se for pra ganhar, que seja sempre um beijo sem motivo,a qualquer hora.
Se for pra querer, que seja sempre a sua mão na minha.
Se for pra viver, que seja sempre ao teu lado, como conto de fadas.
Mas se for pra amar, que seja sempre por inteiro e, principalmente, que seja sempre Você.

25 maio 2012

Amanhã ou Depois

Às vezes até sufoca. Essa sensação louca que bambeia as pernas, gela as mãos e, quase sempre, também rouba o ar. Não é de hoje que fico assim ao lembrar de você, 'sem querer querendo'. E quantas lembranças! Momentos foram poucos, é verdade, mas o que lembro são os milhares de sentimentos que me embaralhavam em sua presença, me sugavam as forças e, praticamente, me transportavam a um universo parelelo só nosso, onde querer era poder.
 O primeiro encontro foi como um incêndio, que partiu das faíscas de nossos olhos quando se encontraram no meio da cozinha, sorrateiros, fugindo da conversa alheia. Um incêndio que demorou a ser percebido, queimando apenas quando a troca de sorrisos encabulados foi inevitável. Mais tarde, como que adivinhasse meus pensamentos mais íntimos, quase furtou-me um beijo,o qual prendi, contra a minha vontade secreta, por medo de que fosse só isso, e ali mesmo tudo acabasse. Ingenuidade a minha! Em questão de horas lá estava eu, completamente envolvida no seu beijo, aquele que eu queria tanto guardar, mas com você eu nada conseguia. Além de sonhar, é claro.
 As bocas estavam deliciosamente juntas, desejosas de muito, implorando por mais. Naquela noite, as horas foram como séculos enquanto eu só pensava no seu toque, no turbilhão de sensações que seu cheiro em minha roupa estava me causando e, ao mesmo tempo, me preocupava com a culpa daquela 'entrega precipitada': "Será que iríamos nos ver de novo?"
Alguns dias se passaram e o reencontro aconteceu. Desta vez os beijos foram ainda mais gostosos, maliciosos, os abraços foram mais carinhosos, a troca de perfumes ainda mais intensa na pele. Nesse momento,a dúvida se algum dia seríamos "Nós" já não existia, restava apenas saber "Quando".
 Mas a vida não aceita indecisão e, no silêncio em que ficamos à espera de 'sabe-lá-o-que', aquele 'nós' que era tão certo nos escorreu entre os dedos, sem que alguém percebesse a despedida. É, o preço de não ter confessado a você o que crescia em meu peito foi bem alto. Quando o tempo veio cobrar a declaração de amor que não tive coragem de fazer, eu já estava longe, pensando no que poderíamos estar vivendo.
Aceito a culpa. Talvez tenha sido culpa do medo, que hoje é apenas saudade. Talvez tenha sido a razão, que preferiu ser apenas ciúmes ao te ver com outras pessoas agora. Talvez tenha sido o "eu te quero" que eu calei, com receio de não haver recíproca. Talvez tenha sido eu que, por hábito, fechei a porta pra felicidade que eu não conhecia, temendo sofrer adiante.
Seria isso tudo apenas "coisas de amor"? Quem sabe... Mas o que quer que seja, lateja todos os dias ao rever a nossa foto e, aos poucos, vai me deixando sem fôlego, com o coração batendo frenético. E eu continuo a esperar que amanhã ou depois vamos ser o 'nós' que não sai da minha cabeça, por essa coisa que não entendo ainda. Essa coisa que é tão linda.

04 novembro 2011

Desejares

Desejo que você me tome nos braços com ferocidade e, sem pedir, aprisione minha alma. Que cochiche aos meus ouvidos, em baixo tom, qualquer segredo teu. Desejo que me quebre em pedaços que satisfaçam seus desejos, e que seus desejos sejam salpicados de pedaços meus. Desejo continuar brigando com você por quaisquer motivos bobos, só pra ter certeza que você ainda precisa de mim. Desejo que você me acorde muitas vezes com beijos no pescoço, que me afague com serenidade quando insisto em me afogar em lágrimas. Que eu prepare seu café da manhã por muitas manhãs de sábado e, nos domingos chuvosos eu te faça adormecer acariciando seu rosto e cantando uma melodia qualquer, bem baixinho, só pra chamar o sono. Desejo que quando você acordar me olhe dormir e, sorrindo, não se mova para não me assustar. Ou que você me acorde aos pulos e gritos, nos derrubando da cama. Desejo que você grite, brigue, diga até me odiar para que, sorrateira, eu me encaixe em teus braços achando uma graça tanta braveza. Desejo sentir teu cheiro em tudo que é meu, em tudo que me faz tua. Desejo que você não seja tudo o que sempre sonhei e que eu não sinta paz ao seu lado, que a nossa estrada seja uma enorme aventura e, cada dia uma grande surpresa. Desejo que você insista em cantar aquela música que eu detesto só pra me fazer te perseguir pela casa, te mordendo pra você parar. Que a nossa musica seja como um hino e que, quando brigarmos, eu te pegue cantarolando ela no chuveiro, como um pedido de reconciliação. Desejo muito, desejo tudo que é nosso por destino. Desejo ter você, me desejo inteira sua, desejo ser seu mundo e que você transforme o meu. Desejo ouvir da tua boca palavras minhas, e que a minha boca seja morada tua. Desejo que nossa vida seja doce enquanto tiver que ser, e plena por quanto durar. Desejo primeiro, e principalmente, que você me ame e, logo depois me deseje. E aí não terei mais nada o que desejar.

20 outubro 2011

Ela não tinha certeza sobre o que queria. Se queria um amor, ou se disto ela já estava farta. Se queria viver tudo o que podia, ou se queria morrer pro mundo e viver um sonho. Estes são exemplos de uma cesta enorme de 'se' que ela tinha. Mas entre inúmeras e contantes dúvidas, sobre algumas coisas ela tinha certeza.
  Ela queria ser uma princesa, desde criança estava preparada para esse momento,e lutaria até o fim por essa vontade. Ela queria amar desmedidamente, um amor que nunca chegasse ao 'estágio de banheira'. Ela queria ser jovem pra sempre, mas ter a cabeça e a experiência de quem já viveu muitos bons anos.
  Ela queria ser mar, brisa doce e suave também, onde as pessoas pudessem encontrar esperança, depositar angústia, e irem embora melhor do que chegaram. Ela queria realizar todos os desejos alheios, como se pudesse assim cumprir seu 'dever', mostrar a que veio. Entre milhões de dúvidas saltitantes em sua alma, alguns desamores no peito, e um   punhado de promessas quebradas no passado, uma coisa ela sabia, e os outros também:
Ela era um inteiro de desejos que borbulhavam por acontecer.