
Escrever, como outros hábitos, é em parte dom, outra parte prática. Assim também é amar.
Amar é dom porque não se aprende a ter o coração puro, aberto e maleável. Não ficamos desde o berço pensando em cada detalhe, cada momento e cada ação que um dia concretizaremos para fazer alguém feliz. Ou você nasce sabendo amar e ser amante, ou você passa a vida tentando.
E tem a prática.. Amar também é prática porque não se faz alguém feliz só por um dia, por uma hora, por um minuto. Isso sim se aprende, no convívio, na rotina, nos dias bons e nem tão bons é que a felicidade é construída. Amar é praticar porque não se ama só uma vez, se ama todo dia, todo o tempo, a vida toda. Amamos diversas pessoas, de diversas maneiras, com diversas intensidades. Mas amamos, sempre, direto, algo ou alguém, conscientemente, persistentemente, ou até mesmo sem saber.Pois é, amamos até de surpresa.
Amar, além de dom e prática, é também abrigo. Refúgio nas adversidades da vida, uma luz na escuridão que às vezes nos envolve, proteção que não afasta só o frio, afasta também a solidão. Amar é saudade que corta, rasga, machuca,e até escorre. Quase sempre pelos olhos. Amar é grito contido ecoando no peito, é deixar vir, deixar acontecer, se deixar encontrar. É permissão, carta branca, entrega completa sem querer devolução. Amar é tudo e mais um muito, um tanto além.Ser amado, contudo, não é dom, nem prática. Ser amado é em parte sorte. E outra parte também.
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