É que o amor, por mais furioso que comece, sempre chega em uma fase ‘ponto morto’. Pode
ser a fase de chama branda, aquela em que já não há brasa viva faiscando, mas
também, ao contrário da tristeza do ‘morrer do fogo’, pode ser apenas o
conforto do ‘morno’, aquela mansidão de
uma banheira em que a gente quer se deixar ficar. Aquele amálgama de tanta
coisa que já foi vivida, agora deixada em algum canto onde não vá atrapalhar a
passagem. Porque em matéria de amor, aparar todas as arestas, por mais artista
da convivência que se seja, é utopismo simples, diria até inocente. No máximo,
consegue-se ‘podar’ umas e outras quinas, às vezes nossas, às vezes do outro. E
os cantos vão ficando lotados do que abdicamos, relevamos, fazemos vistas
grossas. Vez ou outra, tropicamos numa delas e acaba machucando, resistimos,
mesmo que incomodados, e seguimos. Seguimos pro nosso quentinho, morninho, pro
nosso amor de banheira, cuja profundidade não oferece mais nenhum perigo, e cujo
conforto já não significa completude, muito menos felicidade.
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