20 março 2010

Prefácio de nós dois

Ela liga, ele vai. Ele liga, ela vibra. Desejaram-se desde o início, entrelaçados,alma e pensamentos,até o fim.
Ela, que duvidou da força com que ele arrancava suspiros das meninas, vestiu sua armadura para cumprir o que estabeleceu para si, não se machucaria mais de amor. Tola. Como uma agulha furando o plástico, ele penetrou na 'segurança' dela e, devastadoramente, fê-la o que a pobre mais temia: mais uma fã.
Ele, que duvidou do poder de convencimento, ou melhor, do poder manipulador do sorriso dela, surpreendeu-se ao sentir a ausência dolorosa que ela causava. Tinha fome de vê-la, ouvi-la, senti-la e, desta fome, preferia morrer à saciar-se, conhecia bem os males de se render aos domínios de mulheres poderosas com ela, desta vez não cairia nessa armadilha, estava mais seguro de si.
Começaram pela tímida indiferença, por onde tudo começa mesmo.Logo veio a parceiria, o companheirismo, olhares e sorrisos encabuladamente maliciosos, trocados no íntimo de suas consciências. Não bastasse, ainda tinha o 'fingir que não se importa', e a arte fria de chamar de amigo o que queriam chamar de amor.
Entre o coleguismo e o amigos para sempre, não ousaram se defender da inimiga à espreita: a confiança. Quando confiaram seus segredos, devaneios, suas vidas, um ao outro, perderam-se. Abriram por completo a porta do amor, trancafiando as portas da paixão. Não sabiam, mas a vida iria lhes cobrar por isso.
Ela sente falta do abraço dele, do cheiro de vida que ele traz, de perder a hora admirando-o em silêncio, de fazer do corpo dele a própria moradia. Ela queria ser mais carinhosa, mais corajosa e ir a fundo com ele, desfazer seus limites e desvendar seus mistérios, mas sabe que é tarde demais.
Ele, por sua vez, tem ciúmes dela, muitas vezes controlado, outras tantas escancarado, muito além de um ciúmes amistoso, ele queria tê-la por inteiro, corpo e alma com exclusividade, sem precisar temer aquilo que lhe tira a paz: perdê-la. Para outros, para outras, para o mundo. Ele queria dizer o que sente, confessar o seu desejá-la, sugerir uma tentativa, mas sabe que é tarde demais.
Lembram-se juntos de uma vida que nunca viveram, por abdicarem, ou por lhes ter sido tirada pela confiança, pelos descaminhos, pelo destino. Vivem na amizade um eterno principiar de romance,até que ele, ao seu modo aventureiro, ou ela, da sua maneira desafiadora, usem a ousadia para abrir a porta que um dia, por medo, trancaram. Descobrem a cada dia o quão difícil é serem amigos quando seus olhos gritam um desejar de amantes. Eles ainda não sabem, mas vão se pertencer por tantas vidas quanto tiverem.

Um comentário:

  1. E que venham muitos ''sorrisos encabuladamente maliciosos'', pois são os melhores! hehe

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