28 março 2010
Sonho de Inverno
Quanto mais fechados estivessem os olhos dela, mais ele parecia real. Era diretamente proporcional e não era daqueles que dormiam do lado esquerdo da cama. Ele parecia daqueles que optam por esperar por uma vida após a morte, enquanto ela vivia todos os dias a morte de não tê-lo. Lembrava do despertar de tamanho desejo, aquela noite fria, convidativa, em que ela sentiu na pele a intensidade do brilho dos olhos dele, aqueles doces olhos de noite serena eram como garras, garras de paixão. Gravou o gosto da voz dele, sequestrou o ar que ele pouco respirava. Ansiava a chegada da lua para vê-lo, no entanto lhe causava dor cada segundo que precedia o nascer do sol. Ele ia embora, sabia que durante o dia não o veria, por mais fechados que estivessem os olhos. E esperou durante todo o inverno que aquele sonho jamais se tornasse um pesadelo.
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