28 dezembro 2009

Recomeço

Sou de urgências, de entregas, de impulsos, de agora ou nunca. Me jogo no que acredito, e tenho acreditado pouco. Me chamaria de incontável, tanto para meus desgastes quanto para minhas alegrias. Não engulo o que me chega de inesperado, muito menos o que vai para não mais voltar. É insuportável para mim que um dia as coisas cheguem ao seu devido fim. Vivo tentando me acostumar com a vida mas é sempre difícil, nunca é a mesma, mesmo sendo tão óbvia.
Penso tanto nas pessoas, escrevo cartas pra ninguém, bebo e fico paralisada em frente a janela. O telefone mudo, um silêncio insuportável nos tímpanos e uma lembrança maçante no peito. Não entendo nada e quero mais é dormir pra esquecer, acordar no dia seguinte e me atolar numa distração qualquer pra que tudo pareça estar bem mas não, não está. Não posso ficar presa nessa ausência de compreensão. Ausência de tudo o que me conforte. Estou completamente sóbria e nem um pouco calma. Sei que estou patética e dolorida. O importante é jogar as cinzas no lixo, tomar um banho e colocar cafeína na garganta. Preciso recomeçar a todo instante. Jogar o cansaço ralo abaixo e me convencer que logo o tempo desloca esse desespero.

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