05 fevereiro 2011

Depois da névoa que lhe afagava o rosto e desgrenhava os cabelos, ela, enfim, podia ver. E via o sol, pássaros, talvez até um arco-íris, via claramente. Isso era vida. Já não havia o constante correr pelo corredor opaco, sem portas ou janelas, onde ela era apenas borrão.O chão não sumia mais, nem as mãos estendidas desapareciam, de forma que ela não mais caia infinitamente no abismo do escuro desconhecido.
Ela via, e o que via era só luz, parecia não haver nada mais, contudo isso bastava. Este não era, para ela, como um fim do túnel, era o portão de entrada para um novo caminho. Alternando preocupação e euforia ela entendeu que, agarrando essa oportunidade, ela teria vida, e esta certeza de um propósito para ir além lhe felicitava como um carinhoso beijo na alma tão machucada que trazia.
Ela lutou pelo que queria, atravessou sem receio a fronteira entre querer e poder e foi além do abstrato. Ela fez vida do que, até então, era sonho.

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