13 agosto 2010
Braços dados com a solidão
Não se sentia só, contudo não havia uma alma sequer ao redor quando, em noites frias e silenciosas, ela chorava de saudade. Não negava amor jamais, por qualquer motivo ou pela falta de um, contudo ninguém lhe doava amor sincero quando, triste e desabrigada, ela pedia um abraço. Não perdia a confiança em alguém por qualquer descuido, confiava cegamente e sem medo, contudo não ouvia uma simples confissão quando, à procura de carinho, sentia-se vazia, braços dados com a solidão. Não desejava mal a quem não sabia valorizá-la, conhecia o livre arbítrio de todos e zelava por ele, contudo não era perdoada quando escorria veneno,da boca de quem, aos poucos, apodrece por dentro. Não queria se perder daquele sentimento, daquela vida planejada, contudo procurava em alguns o que, na verdade, sentia por outros. Não podia deixar de lembrar do passado com carinho de quem muito amou, sonhou e se entregou, contudo suas lembranças insistiam em feri-la quando, angustiada e sozinha, sentava ao computador para escrever algo que lhe fizessem bem, na ânsia vã de não mais sentir-se fragmentada, incompleta, abandonada.
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