Era um cãozinho fofo. Branquinho, peludinho, gordinho, e todo faceirinho ia saltitando como um coelho. É, era muito fofinho. Entrou na família com a desculpa de que o filho mais novo precisava de um 'amiguinho', só não confessavam que, na verdade, a família todo precisava de carinho e companheirismo.
Deram-lhe um nome: Snow, e o cão atendia com rapidez e alegria aos chamados do pessoal. Saltitando (sempre) pelo tapete, fazendo xixi nas almofadas, recebendo visitas com mordidinhas babadas e latidos roucos, querendo dormir na cama dos donos, comendo a ração mais cara, chorando de madrugada como uma súplica por atenção...Não importa, ele era fofinho.
Rapidamente, Snow tinha o amor de todos. Não tinha como não amá-lo, seus olhos brilhantes e carinhosos exigiam amor. De fato, o cão fazia companhia ao menino, brincavam juntos, comiam juntos, dormiam juntos e, só não tomavam banho juntos porque Snow não era lá muito 'fã' de banhos, se escondia todas as vezes.
Mas, errar não é só humanos, é também canino. Certa tarde enquanto brincavam, o menino, talvez inocentemente, puxou de leve o rabinho de Snow, e esse, usando aos instintos caninos, respondeu com uma mordida. Ele não fazia idéia do preço que pagaria por isso. A família cega pelo sentimento de decepção resolveu mandar o cão fofinho para um 'reformatório' onde aprenderia, por bem ou por mal, as boas maneiras.
Chegando o dia de levar Snow, preceberam que o cãozinho havia adoecido, estava nitidamente infeliz, não comia, não latia, muito menos saltitava, era apenas um cão. Arrependeram-se e voltaram atrás, afinal, não era justo fazer com o cãozinho fofinho o que gostaríamos de fazer com os homens.
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